A MotoGP publicou seu calendário de 2027 em 25 de setembro: 22 Grandes Prêmios, de Buriram em 7 de março a Valência em 28 de novembro, com duas sedes novas. Buenos Aires fica com a quarta etapa, em 11 de abril, no Autódromo Oscar y Juan Gálvez, que recebeu seu último Grande Prêmio de motociclismo em 1999, no lugar do Balaton Park, na Hungria. Adelaide fica com a etapa 21, em 14 de novembro, num circuito de rua, no lugar de Phillip Island.
Pela versão de Victoria, Phillip Island não perdeu por dinheiro. Em fevereiro, o ministro de Esportes e Eventos de Victoria, Steve Dimopoulos, disse à ABC que o organizador havia pedido para levar a corrida ao circuito de Albert Park, em Melbourne, e que o estado recusou. "Atendemos a todos os outros pedidos. Honramos a taxa de licença, atendemos a todo o resto e, na verdade, fomos além", disse. "Sabemos que poderíamos ter mantido [a corrida] em Victoria se tivéssemos aberto mão de Phillip Island." Um estado que honrou o preço de um Grande Prêmio o perdeu pelo endereço.
Adelaide ofereceu o endereço. No dia seguinte à declaração de Dimopoulos, a MotoGP, o Governo da Austrália Meridional e a cidade de Adelaide anunciaram um acordo de seis anos até 2032, inclusive, apresentado como "o primeiro Grande Prêmio da MotoGP disputado no centro de uma cidade". Em agosto, o estado divulgou o projeto do que a ABC descreve como um circuito de rua de 96 milhões de dólares australianos, um orçamento que exclui o prédio temporário dos boxes e se soma a um pacote separado de 15 milhões de dólares australianos para os parques. O governo projeta um benefício econômico de 200 milhões de dólares australianos por ano.
Os próprios números da Austrália Meridional são contestados em casa. Andrew Milazzo, ex-vice-diretor executivo do departamento de transportes do estado, estima o custo anual para os contribuintes dos eventos do circuito, MotoGP e Supercars somados, em 90 milhões de dólares australianos, e o custo econômico líquido em cerca de 50 milhões por ano. Um porta-voz do governo respondeu que o relatório foi "produzido por críticos conhecidos do projeto" e "contém imprecisões significativas baseadas em premissas falsas".
Buenos Aires chega por outro caminho ao mesmo tipo de sede. A etapa argentina não foi disputada em 2024 "por falta de asistencia económica del Gobierno nacional", ou seja, por falta de apoio financeiro do governo nacional, segundo o La Nación, e Termas de Río Hondo deixou o calendário depois de 2025. A volta foi anunciada pelo governo da cidade em julho de 2025, com um contrato de quatro anos com o Grupo OSD e a Dorna. O comunicado da própria cidade, de 30 de julho de 2026, diz que as obras, conduzidas pela cidade por meio de sua secretaria de esportes e executadas pela Autopistas Urbanas (AUSA), começaram em janeiro e serão concluídas a partir do fim do ano, para um circuito com capacidade para 150.000 pessoas por dia. Jorge Macri, chefe do governo da cidade, definiu as obras como "inversiones que nos posicionan como una ciudad atractiva ante los ojos del mundo", investimentos que tornam a cidade atraente aos olhos do mundo, e apontou a Fórmula 1 como o próximo objetivo. O comunicado não publica nenhum valor.
A Hungria mostra a mesma regra pelo lado de quem perdeu. O Speedweek informa que o contrato do Balaton Park não foi renovado depois de dois Grandes Prêmios, e que o fator decisivo foi um público de cerca de 80.000 pessoas em três dias, que "não se encaixa na visão de longo prazo do Campeonato Mundial de Motociclismo sob a Liberty Media". A alternativa é o Hungaroring, nos arredores de Budapeste, e o Speedweek diz que a mudança está travada porque o investimento, "na casa das dezenas de milhões altas, não foi aprovado pelo Estado". A opção da capital existe no papel e espera dinheiro público.
Em torno das duas mudanças principais, o padrão se mantém. A terceira etapa, em Goiânia, depende do estado de Goiás, que, segundo noticiou o Diário de Goiás em março, investiu 250 milhões de reais no autódromo e assinou em dezembro de 2024 com a Dorna e a Brasil Motorsport cinco etapas de 2026 a 2030. O lançamento da temporada vai para a Praia de Botafogo, no Rio de Janeiro, em 21 de fevereiro, anunciado em agosto ao lado do prefeito da cidade, e o próprio comunicado da MotoGP o vendeu com a afirmação de que o lançamento de 2026 em Kuala Lumpur "gerou mais de US$ 7 milhões em valor econômico". A extensão de Portugal até 2029, anunciada em 24 de setembro, foi apresentada pelo secretário de Estado do Turismo, pelo Turismo de Portugal e pelo órgão de turismo do Algarve, que nomeou o que a data compra para a região: "Também tem a vantagem de acontecer fora da época alta." Portimão passa de 20 a 22 de novembro, em 2026, para 3 de outubro, em 2027.
Os clássicos renovam em outros termos. Mugello estendeu seu contrato até 2031 em 24 de setembro, depois de um recorde de 178.723 espectadores em 2026, e o diretor executivo do circuito, Paolo Poli, descreveu o compromisso como assumido "junto com a Ferrari". O presidente regional da Toscana, Eugenio Giani, comemorou o acordo sem uma contribuição publicada. Os clássicos mantêm seu lugar pelo público. As mudanças, nas duas direções, dependeram do que um governo construiria e onde.
O que o promotor recebe por qualquer um desses acordos não é público. A Liberty Media, dona da MotoGP, informa que a receita principal da MotoGP vem de "(i) taxas de promoção de corridas, (ii) direitos de mídia e (iii) patrocínios", e seu comunicado do segundo trimestre diz apenas que, no primeiro semestre, "a receita de promoção de corridas cresceu por causa da composição das corridas". Nada no comunicado permite saber se Buenos Aires ou Adelaide pagam mais do que Phillip Island pagava.
Três das 22 etapas continuam provisórias. O Crash.net indica que Buenos Aires e Adelaide estão sujeitas a homologação e o Circuito das Américas, sujeito a contrato. As duas sedes construídas por governos precisam passar pela inspeção em pistas que, numa cidade, terão as obras concluídas a partir do fim de 2026 e, na outra, são um projeto divulgado em agosto de 2026. Os relatórios de homologação, não o calendário, dirão se o dinheiro público comprou um Grande Prêmio.